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Edvaldo Cabral: Frevo

Edvaldo Cabral: Frevo



Frevo com Clemilson Dantas


(Texto extraído da introdução à partitura publicada)

Em suas composições Edvaldo Cabral faz constante uso do contraponto, ligado a um conceito próprio das funções tonais. Uma das características mais marcantes de sua técnica de composição - e com isto de seu estilo pessoal inconfundível - é sua arte de obter um contraponto a partir de uma única linha melódica, deslocando sistematicamente para uma outra oitava notas que a constituem.

Na presente obra, efeitos muito especiais decorrem da aplicação deste recurso em passagens como:



Em lugar de, por exemplo:



Frevo, que pertence às primeiras composições de Edvaldo Cabral para violão solo, foi inspirado no chamado "frevo de rua". É uma de suas mais belas composições e se encontra, sem dúvida, entre as melhores já escritas neste gênero.

O frevo é o gênero musical e de dança mais característico e representativo do carnaval do Recife, capital de Pernambuco. Diz-se que existem três tipos de frevo: o frevo-de-rua, que é o "frevo" propriamente dito, tocado em andamento rápido e que utiliza instrumentos de sopro (metais e madeira) e percussão; o frevo-de-bloco, antigamente chamado marcha-de-bloco, que é mais lento, cantado em coro e que emprega, além de sopro (madeira) e percussão, violões, cavaquinho e banjo ou bandolim; e o frevo-canção, cantado por um cantor solista com acompanhamento.

Para delimitar esta categoria (um tanto atípica) de frevo, que é o frevo escrito para instrumento solista ou para grupos de música de câmara, Cabral usava o distintivo "frevo de concerto". Ele escreveu cinco frevos de concerto, dos quais dois são para violão solo (entre estes o segundo movimento de sua Sonatina) e os três restantes para trio e quarteto: Convocação, Tristeza no Frevo e Fuga-Frevo (Este último é uma demonstração vitoriosa de como incorporar um gênero popular ao rigor acadêmico da forma). Por outro lado, as suas marchinhas (Marchinha Carnavalesca para violão solo e Marchinha, 4º movimento da Sonatina para violão solo) refletem o espírito do frevo-de-bloco, mas evocam também a marchinha carioca.

Napoleão Costa Lima
Recife, março de 2004

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